quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

MEUS, TEUS, NOSSOS...

Fui casada durante vinte e três anos e tive três filhos. Depois de divorciada namorei alguns poucos rapazes, mais jovens, solteiros, sem filhos. Nunca vivi a experiência de ser madrasta, ter enteados, conviver com ex-mulheres!
Mas, observando parentes e amigas que passam por essa situação percebo o quão difícil pode ser. É fácil amar aos seus, aos que você gerou, criou, educou. Difícil amar o filho de outra, com suas manias, imperfeições e defeitos. Atributos que seus filhos certamente também tem, mas são seus, é mais fácil lidar, mais natural compreender. Os outros são outros, vem com uma bagagem estranha a você, difícil!
Então fico observando e pensando. Como é possível amar a mãe ou o pai mas rejeitar os filhos? Que sentimento se apodera deste parceiro? O que se passa com ele? Sente ciúmes? Sente-se ameaçado? Vê naquela criança a imagem do outro, da outra, do ex? Isto assusta, incomoda, amedronta!!!
Pois é, mas namorar e, principalmente casar com alguém que vem de uma relação anterior, com filhos e ex, precisa estar preparado para enfrentar adversidades.
E quando estes filhos vão morar com o novo casal tudo pode acontecer. Desde uma relação harmoniosa, uma nova família aprendendo a conviver com as diferenças individuais, transformando-as em semelhanças coletivas ou coisa assim. Mas também pode ser o prelúdio do caos, da competitividade excessiva, da rivalidade acirrada, da rejeição velada.
E o que fazer? dentre os casais que conheço e que passaram ou passam por esta situação, vi todo tipo de tentativa de acerto. Algumas com sucesso, outras fracassadas.
Uns tentam estabelecer o diálogo, a conversa franca, a reunião familiar semanal onde todos têm voz e vez para que expressem seus sentimentos, suas carências, frustrações, decepções e também suas boas impressões. E assim, em família, tomam juntos a decisão de mudar o que não está bem e reforçar o que está dando certo. Trabalho contínuo, árduo, que não pode ser interrompido.
Outros decidem morar em casas separadas, cada qual com sua prole e ficar todos juntos apenas nos finais de semana. Um casamento, duas casas; uma família, meia família, duas famílias. Pode até dar certo, mas pode ser que não. É uma tentativa!
Há os que convivem todos juntos durante a semana e nos finais de semana os filhos dela vão para a casa do pai e os dele para a casa da mãe. Ficam os dois sozinhos por dois dias, livres, libertos, juntos!
E também vi muitos jogarem a toalha e desistir no meio do caminho. Simplesmente não conseguem conviver com o filho do parceiro, preferem terminar a relação.
E esta situação piora quando o casal tem filhos em comum. Dai passa a ser o meu, o teu e o nosso. Ou ainda mais complicado quando apenas um dos dois tem filhos do casamento anterior. O outro não sabe ser padrasto ou madrasta. Então torna-se permissivo ao extremos visando conquistar aquele ser ou, ao contrário, ignora-o, age como se não existisse, não se envolve.
Em todos estes casos sofrem os pais e os filhos. Faltando harmonia, falta tudo. Para manter-se juntos , todos juntos é preciso abrir mão de muita coisa, de verdades e conceitos pré-estabelecidos e é necessário muito respeito a individualidade de cada um. E nesta convivência todos têm papel fundamental, pois se um desiste, a história desanda. Mas entendo e sei como é complicado.
Bem, quem se envolve com alguém que vem com bagagem há de ter consciência que está levando um 'pacote'. Então prepare-se. E este esforço precisa ser conjunto, pai/padrasto, mãe/madrasta, filhos e ex. Todos precisam contribuir para que as coisas deem certo, ou não.
Tudo o que escrevi aqui foi baseado em observações. Pessoas muito próximas a mim vivem situações deste tipo. Não sei como seria comigo! Não faço a menor ideia de como agiria caso tivesse enteados morando comigo. Não sei. mas quem vive isto precisa estar atento, pesar, contrabalancear e lembrar que de repente são todos nossos, sem distinção. Difícil, mas necessário!

Maria Conceição de Aguiar
23/1/2013

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