sábado, 19 de janeiro de 2013

DESAPEGO

Há dez anos terminei meu casamento. A partir de então comecei a me desfazer de todos os móveis da casa, substituindo-os por outros, novos, diferentes, que representavam uma nova fase na minha vida. Assim, aos poucos, durante cinco anos, fui trocando quartos, salas, cozinha, lavanderia.
Agora, sinto-me vivendo novamente uma outra fase. Mudando de cidade, de casa, de trabalho. E, de novo, desfaço-me dos meus móveis, os quais já não combinam comigo, com esta nova etapa da minha vida.
Vou mudar para uma casa menor, bem menor. Quero móveis novos, práticos e de fácil manutenção. Também não quero nada de vida infinita. Quero, daqui a um tempo, poder trocá-los mais uma vez, sempre acompanhando as mudanças de rumo, de visão, de pensamento, de opinião!
Gosto de citar o poeta que disse " Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...". Assim, mudo de ideia, de opinião, de gostos e de pensamentos. Não acredito em verdades absolutas. Acredito sim que tudo é relativo e que tudo pode mudar de acordo com o tempo, o espaço, a situação e o momento que se está vivendo.
E nesse ínterim, mudo de casa, renovo os móveis, as roupas de cama e banho, os utensílios domésticos. Vendo, compro, mudo. Então vou me reciclando. Por dentro e por fora. E gosto disso. Gosto de mudar! Gosto de mudanças!
Aliás, a rotina me sufoca, maltrata minha alma, meu ser. Não consigo conviver com ela, não somos boas companheiras.
Também pessoas estagnadas, com mentes fechadas e pensamentos atrofiados me incomodam. Torna-se difícil nossa convivência. 
Dai eu mudo. E me sinto bem agindo assim. Fico feliz em olhar para frente e visualizar novos horizontes. Fico encantada em vislumbrar um mundo novo sempre, de coisas diferentes, novas ou renovadas, recicladas, mas diferente. 
Sou mutável! Sou motivada pela vontade de aprendizado constante, de aperfeiçoamento, de continuidade com nova roupagem. Sou mutável e gosto disso!
Assim vou mudando por dentro e por fora, incluindo meu espaço. Assim vou crescendo. E o que me serve hoje já não quero amanhã. Pratico o desapego.
Mas isto se refere a mim, aos meus pensamentos, objetivos, ideais e aos meus bens, objetos e coisas. 
Como já falei, quanto as pessoas sou apegadinha, demoro a me desvincular. Aliás, nem sei se quero me desapegar. Se me deixo cativar, ou se cativo alguém, quero-o por perto, manter acesa esta empatia, este companheirismo, a nossa amizade.
E valorizo muito a amizade, os laços afetivos que unem pessoas tão diferentes. Respeito, admiração, valorização do ser humano refletem a amizade verdadeira, independente do contato constante, do convívio diário. Independente do vínculo familiar. pessoas cativadas são especiais e tornam-se imprescindíveis na nossa vida. Então, nestes casos, meu apego é eterno.
Mas de resto mudo, promovo mudanças, renovo! De resto sou uma metamorfose ambulante. De resto sou aberta ao mundo em que vivo!

Maria conceição de Aguiar
19/1/2013

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