quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

FAMÍLIA

Sou de uma geração em que a família era composta pelo pai, a mãe e os filhos. E tinham os avós, os tios e um monte de primos. As crianças eram educadas em casa, pelos pais. Aprendiam a respeitar os mais velhos, ajudar nos afazeres domésticos, cuidar dos irmãos, rezar antes de dormir e agradecer as refeições. A principal tarefa era estudar. Então tinham a obrigação de tirar boas notas, aprender o conteúdo, passar de ano e ler, ao menos, dois livros por ano.
Cresciam, tornavam-se jovens e formavam a sua turma. Curtiam música, baladas, às vezes um cigarrinho, uma bebida, mas nada muito radical.
Namoravam e casavam, tinham filhos e educavam-nos como foram ensinados. Divorciavam-se e seguiam suas vidas ou mantinham-se casados para sempre.
Mas o tempo passou, o mundo evoluiu e as relações familiares acompanharam esta evolução, como tinha que ser. Mas, de vez em quando precisamos parar e analisar se tanta evolução está fazendo bem às famílias.
Claro, há o lado bom. Hoje as crianças são mais descoladas, mais antenadas, captam as coisas mais facilmente, não crescem alienadas. O jovens têm mais oportunidades de estudar, trabalhar e prosperar. Divórcio deixou de ser tabu, é visto com naturalidade. Segundo, terceiro, quarto casamento é encarado sem preconceitos.
E o lado negativo? Porque sempre tem um lado que não é tão bom assim. Atualmente os casamentos são instantâneos, começam e terminam com uma rapidez incrível. As mães e os pais sempre muito ocupados, trabalhando, estudando, querendo ganhar dinheiro, visando dar aos filhos tudo o que precisam.
E na maioria das vezes esquecem que o que eles mais precisam é da presença de ambos para vê-los jogando futebol, dançando ballet, apresentando seu projeto na feira de ciências. Necessitam de carinho, de uma história antes de dormir, de almoços em família. Urgem por atenção, compreensão.
Mas as famílias mudaram. Aquele modelo que conhecemos há vinte, trinta anos mudou, não existe mais. Já não há modelos, padrões. Cada família tenta adequar-se a sua realidade. 
E há famílias com duas mães ou dois pais. Outras com filhos de pais e mães diferentes, convivendo todos juntos. Filhas apresentam suas namoradas e filhos, namorados. Pais que depois de separados assumem sua homossexualidade. 
Não estou julgando, até porque não cabe a mim fazê-lo. Nem tenho direito para tal. Não estou condenando, longe de mim. Também não estou generalizando. Apensas citando, narrando fatos atuais.
Algumas famílias conseguem conviver harmoniosamente com tantas mudanças. Na verdade, muitas crianças e adolescentes nascem da diversidade e crescem encarando tudo com uma naturalidade invejável.
Mas nem todos. Percebo crianças, jovens, adolescentes e adultos perdidos, sem rumo, em busca de um porto. 
O que está certo ou o que está errado é muito efêmero, tênue. Cada um na sua, cada qual no seu quadrado. Respeito e tolerância são palavras de lei para a boa convivência social.
Entretanto, é preciso cuidar das cabeças, das mentes, afastar os monstros que afloram a imaginação juvenil. Pessoas em formação precisam de exemplo, de modelos, de padrões. Não necessariamente àqueles antigos, ultrapassados, descabidos no contexto atual. Mas de algum ponto de equilíbrio, para que tenham segurança, cabeça boa, cuca legal!
Independente do estilo de vida de cada um é preciso respeitar, educar, ensinar, cuidar. Sim, todos precisam de cuidados, de carinho e de atenção.
Família é família, com seus moldes antigos ou modernizados e sempre deve estar em primeiro lugar.

Maria Conceição de Aguiar
23/1/2013

2 comentários:

  1. Pois é Maria, os valores mudam, a sociedade "evolue", mas a essência do ser humano continua a mesma: necessidade de amor, de carinho, de reconhecimento, de rumos e portos.

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