quinta-feira, 22 de novembro de 2012

MORBIDEZ

Continuando a falar de morte e vida...

Normalmente vivo plenamente. Faço tudo com paixão, com entusiasmo, procuro não fazer por fazer e sim com prazer, com qualidade. Vivo a vida, um dia de cada vez. Vivo intensamente. Sou feliz, sou de bem comigo e com o mundo. Agradeço a Deus, aos meus filhos e a todos que convivem comigo, de uma maneira ou de outra.
Aos poucos, amadurecendo, vivenciando, experimentando, aprendi a viver e a ver a vida com mais entusiasmo, com maior discernimento. Vivo e gosto de viver, de sentir-me viva, útil, produtiva!
No entanto, como sou viajante das palavras, dos devaneios, da imaginação, fértil até demais, de vez em quando fico imaginado coisas do tipo:

E se eu morrer? Como seria? Costumo brincar com meus filhos dizendo que quero ir com um belo decote e meu habitual batom vermelho, hehehe.
Mas fico imaginando (olha que falta do que fazer)! Meus filhos e meus netos sofreriam, claro que sim. Sentiriam minha falta. Ficariam meio perdidos no início mas logo aprenderiam a viver sem mim, sempre com saudades, claro!
Meus amigos, aqueles verdadeiros, que gostam de mim exatamente como sou, sentiriam minha perda, lembrariam com saudades tudo o que vivemos juntos e lamentariam tantas coisas que deixamos para depois.

E no velório? Hum, durante muito tempo fui ativista política, assessora, jornalista, professora, funcionária pública. Imagino que políticos se fariam presentes, colegas de todas as profissões. Muitos teriam várias histórias para contar, de situações que partilhamos, outros iriam por ir.
Minha família, meus parentes lamentariam mas saberiam que vivi sempre do jeito que quis, que achei melhor para mim.
Não gostaria que meu velório fosse transformado em um evento sem sentido, com pessoas que simplesmente me aturaram ou que foram para constar, simplesmente!
Quero flores bonitas, alegres, mas somente dos que me amam. nada de coroas por mera formalidade. Nada de pessoas indesejáveis. 
Na verdade, gostaria de ser velada apenas pelos que me amam. Velório simples, sem hipocrisias, sem teatro, sem circo.
E seu eu morrer? O que deixarei de bom? O que fiz de bom?  Plantei uma árvore, um ipê amarelo, fiz três filhos maravilhosos, escrevi textos, mas não um livro, tenho preguiça para tanto.
E seu eu morrer quem sentirá minha falta? Por quanto tempo? Quem lembrará de mim? por quanto tempo?
E seu eu morrer o que terei feito por um mundo melhor, mais justo,mais igualitário? 
E seu morrer, que lições deixarei? Que tipos de saudades deixarei?

Meio mórbido este texto, admito.Mas não me incomodo de pensar sobre isto. Adoro viver mas sei que morrerei um dia, só não sei quando nem como e nem quero saber, aliás, não tenho nenhuma pressa. Estou ótima aqui e agora!
Mas, e se eu morrer???!!!

Maria Conceição de Aguiar
22/11/2012

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