terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Eterno!?

"Você sabe que não será eterno", falou olhando-a atentamente, como a examiná-la. Duas mulheres da mesma idade, uma, a mãe, a outra, a namorada. Um duelo disfarçado acabava de se estabelecer.Não havia reprovação nos olhos da mãe, apenas preocupação, apreensão. A outra esforçava-se para agradar, demonstrar que também amava aquele menino, mas de um jeito diferente.
Não será eterno... "Eu sei, e que seja eterno enquanto dure", respondeu com certa ironia.
Eterno, duradouro, fugaz, passageiro, amor, paixão, infinito... Conceitos que aprendemos e apreendemos ao longo da vida. Alguns são por nós incorporados de tal maneira que os vemos como filosofia de vida, como norte para nossas ações. Outros vamos aplicando aqui e ali, por vezes, experimentando, aplicando, disseminando ou dizimando, depende do momento, do estado de espírito. Conceitos, apenas conceitos.
O que é eterno? O que podemos dizer que é para sempre? Infinito?  O que hoje nos parece tão certo, amanhã não tem a mesma característica. O que hoje nos faz sorrir amanhã pode nos fazer chorar. O que hoje nos completa pode transformar-se em vazio. O que é eterno?
Pensamentos, sentimentos, ações, palavras, gestos...Tudo depende sempre de fatores esternos que mexem com nosso interior. A cada ação uma reação. Seguimos em frente, caímos, levantamos, olhamos para os lados, limpamos a poeira e seguimos em frente até novo tombo. E assim vamos, fortalecendo pontos e enfraquecendo outros. Caindo e levantando, por vezes rastejando, noutras altivos e soberbos, porque talvez nada seja eterno.
Há uma citação que diz 'não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe'. Dito popular que traduz essa tênue linha entre o hoje, o ontem e o amanhã.
A namorada concordou com a mãe, sabia que não seria eterno, mas que, naquele momento, ambos estava felizes, construindo, planejando, amando, eternizando momentos.
É isso, em suma, eternizamos momentos, bons e ruins, guardamo-os em lugares privilegiados para sempre. Estes sim, momentos vividos, são eternos, são só nossos, propriedades privadas com marcas registradas, os quais estarão sempre lá, nas nossas lembranças, nas nossas relíquias!


Maria C. de Aguiar

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