Há 30 anos ele partiu, morreu. Ainda lembro daquela noite em que ele, agonizante, chamou os filhos para se despedir, pediu uma vela, virou a cabeça para o lado e foi embora. Foram nove meses definhando, com um câncer que começou no esôfago e foi se espalhando. Meu pai sofreu, passou fome e sede, pois o aparelho digestivo estava corroído pelo mal.
Na verdade nunca fora um homem feliz. Nasceu pobre, cresceu frágil, não soube amar nem ser amado. Casou, teve muitos filhos, separou, bebeu todas e morreu aos 42 anos.
Ás vezes sinto saudades, sinto sua falta, sinto vontade de dizer-lhe o que nunca disse, de afagar-lhe os fartos cabelos, de beijar-lhe o rosto magro, de abraçá-lo. Por vezes penso, imagino, fantasio de quanto tudo poderia ser diferente se ele estivesse vivo, se fosse mais forte, se tivesse garra, perseverança, vontade de lutar, de acertar, de viver.
Eu era tão jovem ainda e o sofrimento do meu pai deixou em mim marcas profundas, superadas ao longo de muitos anos.
30 anos se passaram, mas ainda posso sentir seu cheiro, ouvir sua voz, ver seus olhos azuis, suas mãos calejadas, seu semblante triste tentando aparentar alegria.
30 anos que parecem 30 dias.
Que grande mistério é a vida e a morte. Será que temos de fato uma missão a cumprir? Será que nascemos com tempo definido? Ou talvez o destino esteja em nossas mãos, possamos moldá-lo e mudá-lo a qualquer tempo. Não tenho estas respostas, não sei se alguém as têm. Mas acredito em Deus e creio que deve haver alguma explicação lógica para tudo que nos acontece, para tudo que vivenciamos. Senão, qual o sentido da vida? E da morte?
QUE MARAVILHA O SEU AMOR PELO SEU PAI!
ResponderExcluirUM GRANDE BEIJINHO. MARIA INÊS.
Obrigada querida!
ExcluirLembro bem dele Maria e hoje sei a dor que sentisse com a partida dele.Sinto muito. Abreijos
ResponderExcluirPois é Ju, a gente nunca esquece. Com meu pai convivi pouco, por isso a falta é grande. Com o teu conviveste muito e, por isso, a falta será ainda maior.
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